Popularização do comando de voz pode mudar radicalmente o visual dos celulares.
Design é palavra-chave para o mercado de celulares. “Cada vez mais os aparelhos são uma extensão da personalidade do consumidor e, portanto, devem refletir seu estilo de vida”, afirma o gerente de produto da Siemens, Ivanildo Cordeiro Silva. Não existe um número único sobre o peso do design na escolha dos celulares, mas em todas as pesquisas esse item se sobressai.
A Siemens realizou, em janeiro de 2005, uma pesquisa perguntando aos consumidores qual seria o principal aspecto que os levaria a optar por um modelo de celular. Os resultados mostraram que 28% dos consumidores compram os aparelhos por causa do modelo/design atraente, 25% por causa do custo/benefício, 8% por causa da alta qualidade e 6% por que estava em promoção.
A Motorola, segundo a designer Beatriz Ardinghi, trabalha com um percentual diferente. “Para os brasileiros, 50% do motivo de decisão de compra é design, em seguida, vêm preço, qualidade e recursos técnicos”. Na Panasonic, segundo Eduardo Toshihiro Kitayama, responsável pelo segmento de celulares na empresa, 70% dos consumidores compram o aparelho por causa do design e 30% por causa da tecnologia.
A percepção de mercado na Samsung passa por um detalhado processo estratificação dos consumidores. O gerente de produto, André Varga, conta que do ponto de vista da Samsung Electronics, existem quatro tipos (segmentos) de usuários, cada um com uma composição distinta de preferência entre design x tecnologia.
1- Fashion: o mais importante é o design, em detrimento dos recursos e da tecnologia. O aparelho precisa ser bonito, combinar com a roupa/estilo de vida do usuário. É um acessório de moda, uma extensão do corpo (Design: 70% x Tecnologia: 30%).
2- Business: o mais importante são os recursos que devem ser realmente úteis. O aparelho serve como ferramenta de otimização da vida pessoal e profissional. Não importa se para isso o aparelho seja meio feio ou até um pouco grande. (Design: 20% x Tecnologia: 80%).
3- Techie: devoradores de novas tecnologias, mesmo que não venham a usá-las efetivamente. Basta ser novidade tecnológica e pronto. (Design: 5% x Tecnologia:95%).
4- Laggard: os consumidores altamente sensíveis a preço. Pouco importa tecnologia e design. Claro que se for “bonitinho” melhor, mas o que vale mesmo é o preço. Em termos de tecnologia pouco sabem utilizar todos os recursos do aparelho, quiçá os mais elementares. O importante é ser barato. (Design: 50% x Tecnologia: 50%).
I n v e s t i m e n t o s
Independente dessa segmentação, o que importa é que o design é prioridade número um também para os fabricantes, inclusive na Samsung. A empresa investiu, em 2004, US$ 3,3 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, envolvendo mão-de-obra especializada em design e criatividade. Isso representou cerca de 6% de seu faturamento global. “A Samsung considera o design de produtos vital para seu sucesso como empresa e para sustentá-la entre as líderes globais em tecnolgia", afirma Varga. Segundo ele, a corporação detém diversos talentos em criatividade e inteligência em todo o mundo, somando mais de 2.000 Ph.D. Os profissionais de criação são peças-chave para prover todas as soluções de design para os mais avançados produtos, satisfazendo de maneira estética e funcional às demandas do mercado. Isso já resultou em diversos prêmios de design como IDEA, IF, G Mark, RedDot and Design for Ásia.
A Motorola se considera uma empresa guiada pelo design. Isso significa que os produtos nascem por meio de um conceito de design, que se baseia em um requisito de mercado, para uma determinada tecnologia. “O design é nosso principal direcionador no desenvolvimento de novos celulares”, afirma a designer Beatriz.
O design para a Siemens é tão importante que a empresa só lança seus produtos após a aprovação dos consumidores. “Os celulares passam por um processo de pesquisa de aceitação de design no mundo inteiro, o processo leva de um ano a um ano e meio”, conta Ivanildo Silva.
A companhia investe também na personalização de seus produtos para conquistar os consumidores. Em parceria com operadoras GSM, a Siemens oferece diversas possibilidades de o usuário ter um celular com sua cara. Músicas polifônicas, protetor e descanso de tela e capas coloridas são apenas algumas ferramentas que possibilitam a personalização.
Além disso, a adaptação dos produtos para atingir determinados grupos também tem sido uma forma eficiente de atrair novos usuários. A Siemens já desenvolveu produtos com design diferenciado, em parceria com as operadoras TIM, Oi e Claro. A empresa lançou uma série especial e limitada do celular MC60, em homenagem a Oscar Schmidt. O aparelho traz no verso uma bola de basquete, a assinatura e o número da camisa do jogador.
Este foi o primeiro celular temático esportivo desenvolvido no Brasil pela companhia. Na Europa, a Siemens já lançou celular do Real Madrid e da MacLaren. Também, em parceria com operadoras brasileiras, já desenvolveu o Oi Universitário, o TIM Cartoon, com personagens do Cartoon Network, o Claro Sandy e Júnior, entre outros.
Veja na edição 107 mais detalhes sobre esse assunto. Disponível na área restrita para assinantes. Matéria publicada em 2005.








