As inovações tecnológicas, principalmente na manufatura, já não são suficientes para destacar um produto porque a tecnologia está disponível para todos e, isso significa que uma vantagem competitiva ou nova tecnologia será rapidamente absorvida pelos concorrentes, por isso, é necessário se distinguir dos competidores buscando o apelo do design, da inovação.
“Atualmente diversas mudanças ocorrem ao mesmo tempo, novos estilos, tribos, modas, nascem e morrem em um curto espaço de tempo. Por isso, ter um design diferenciado é essencial para a empresa manter ou até ampliar seu market share e garantir sua sobrevivência”, afirma Arthur Zanetti, gerente técnico da LWT. É aí que entra a atuação dos designers que têm como principal ferramenta de trabalho softwares específicos para design e CADs genéricos para expressar suas idéias. O design diferencia os produtos em relação aos competidores e os softwares permitem aos designers viabilizar suas idéias inovadoras e cumprir os prazos cada vez menores para o lançamento de novos produtos.
Assim, se os consumidores querem produtos mais belos e mais rapidamente, os designers também têm suas reivindicações com relação às suas ferramentas de trabalho: os softwares para design. Eles querem sistemas mais intuitivos, com interface amigável e fácil de usar para que seu foco principal possa ser a criação e o conceito do produto e não o controle de comandos de um software.
Os desenvolvedores de software parecem sensíveis a essas reivindicações. “A tendência é ampliar cada vez mais a interação direta entre o designer e o objeto desenhado, seja por meio de mesas digitalizadoras ou de dispositivos multitouch e, a visualização dos projetos será ainda mais realista, possibilitando múltiplas análises e simulações”, afirma Acir Marteleto, diretor geral da Autodesk do Brasil.
Que tal imaginarmos um software que facilite a manipulação do modelo virtual a ponto de o designer ter a sensação de estar esculpindo com as mãos um modelo físico em argila (clay), por exemplo? Os softwares ainda não chegaram lá, mas as reivindicações dos designers e o esforço dos desenvolvedores para atendê-las farão com que isso aconteça mais rápido do que imaginamos. O hardware também contribuirá para aumentar a interatividade dos softwares por intermédio dos dispositivos sensíveis a múltiplos toques que começam a surgir no mercado.
Semelhanças e diferenças
Como as reivindicações dos designers são parecidas os softwares para design de produto, independente do desenvolvedor, estão ficando também cada vez mais iguais. “Isso significa que os desenvolvedores estão ouvindo os usuários e atendendo às suas necessidades e, ao mesmo tempo, aumentando a interoperabilidade entre os softwares já que estão cada vez mais parecidos”, afirma Jonny Garcia, diretor da VisualCAD, distribuidora da Alibre.
Os bons softwares para design permitem trabalhar com superfícies e sólidos simultaneamente, têm a capacidade matemática para desenvolver funções de superfícies complexas para desenho livre, funções técnicas para projeto de peças mecânicas e são paramétricos (permitem que uma alteração feita em uma parte do modelo 3D seja atualizada em todo o produto automaticamente).
Os softwares para design apresentam também novos recursos para a criação de superfície classe A (superfícies de produtos perfeitas, muito utilizadas na concepção de automóveis e aviões, por exemplo). “Todos os desenvolvedores estão aprimorando os algoritmos para a criação e manipulação de superfícies classe A e suas respectivas renderizações”, afirma Edson Isawa da Silva, técnico especialista em aplicação, da Siemens PLM.
Outro foco dos desenvolvedores está no aumento de performance. Jonny Garcia considera que não há muitas opções de ferramentas novas para se criar, por isso os desenvolvedores estão investindo na performance dos softwares.
E aumentar a performance significa aprimorar as ferramentas existentes e buscar novas formas de interatividade dos designers com os softwares para que produzam mais. Além disso, talvez os desenvolvedores devessem focar sua atenção nos novos dispositivos de contato do usuário com o software como as interfaces multitouch que permitem manipular modelos 3D e vídeos pelo toque das mãos no próprio modelo 3D apresentado na tela.
“Cada vez mais, os software para design estão trazendo ferramentas para uma rápida modelagem 3D das idéias e conceitos, além de uma comunicação mais precisa com os outros produtos nas áreas de pesquisa, desenvolvimento, marketing, manufatura ou em qualquer outro processo de construção do produto”, afirma Daniel Damiani, diretor da Makoto 3D, revenda da McNeel desenvolvedora do Rhinoceros.
De acordo com os desenvolvedores essa evolução não significa deixar, em segundo plano, recursos clássicos que envolvem a concepção de um produto. “Hoje o profissional da área de design de produto necessita não só de recursos para criação e manipulação de superfícies Classe A, mas também de comandos típicos utilizados na área de enge nharia como cálculo de área, volume, centro de gravidade, ângulos de saída do produto e até de recursos para a criação rápida de desenhos 2D com vistas e cortes, para que a idéia saia do setor de design totalmente viável em termos de fabricação”, afirma Edson Silva, da Siemens PLM.
Novidades
Entre suas últimas novidades a Autodesk destaca o software de visualização, Showcase. “Com o Showcase é possível visualizar produtos com realismo de altíssimo nível, sem a necessidade de renderização e em tempo real. É possível ver a textura de um painel automotivo ou até mesmo conhecer a aparência externa de um veículo com lanternas acesas com incrível realismo, reduzindo a necessidade de protótipos físicos”, afirma Acir Marteleto.
Ana Lúcia Montenegro, da Seacam, diz que o Alias Studio, também da Autodesk, e revendido pela sua empresa, trouxe na versão 2009 melhorias na parte de impressão, sketch, rapidez e facilidade no modelamento e integração com softwares CAD. “O shade do Alias Studio tem ficado cada vez mais realista e com uma qualidade muito próxima à de um render otimizando a apresentação de propostas de design”.
O recém-lançado PLM NX6, da Siemens PLM, ganhou mais recursos para renderização, área de trabalho mais limpa, acesso rápido aos comandos via mouse e novos recursos para construção e manipulação de superfície sobre modelos digitalizados, no caso de engenharia reversa.
A versão 11 do Alibre, também recém-lançada, enfatiza a performance na criação e abertura de arquivos de grandes montagens, a velocidade e a facilidade de posicionamento e relacionamento entre componentes. Ganhou também mais performance na construção de modelos 2D com vistas de carregamento.
O destaque no TopSolid Design são suas funções avançadas de curvas e contornos para esboço do design. “O software nasceu e se desenvolveu com a estratégia de manter a característica high-end de design, verticalizando aplicativos para fins específicos e aumentando sua integração com softwares de manufatura e gestão”, afirma Glauber Longo, diretor comercial da Missler.
A Dassault Systèmes (DS) está investindo em duas frentes no tocante à sua ferramentas PLM para design. A primeira é o IMAGINE & SHAPE (IMA), uma ferramenta baseada no conceito de “subdivision surfaces” que permite ao designer modificar as superfícies como se estivesse manipulando uma “massinha” de modelar.
“Todas as superfícies geradas possuem continuidade de curvatura em sua plenitude, garantindo mais suavidade às geometrias, evitando retrabalhos de alisamento de superfície”, explica Arthur Zanetti, da LWT. Essa ferramenta é indicada para empresas e escritórios responsáveis pelo conceito e design de seus produtos, principalmente bens de consumo como brinquedos, eletrodomésticos, eletroportáteis, embalagens, equipamentos médicos, calçados, jóias, relógios etc.
Além disso, a empresa investiu na aquisição de uma ferramenta de design automotivo que é referência mundial, o Icem Surf. O software está em fase final de integração com o CATIA V5 e em breve se somará aos mais de 150 módulos do PLM, tornando o portfólio Dassault ainda mais completo.
Lançado em novembro deste ano, em São Paulo, o SolidWorks 2009 conta com mais de 260 novas funcionalidades que ajudam aos designers a concluir seu trabalho mais rapidamente. A nova versão é até 65% mais rápida do que a versão anterior. Isso impacta o trabalho do designer, pois as melhorias desta versão, no que diz respeito à velocidade, foram também focadas em comandos usados freqüentemente, como abrir, salvar, regenerar ou alternar.
“As novidades na interface do usuário vão ajudar muito aos designers oferecendo suporte completo a dois monitores, por exemplo. Isso faz com que a maioria das caixas de diálogo, barras de ferramentas e painéis de tarefas sejam movidos para o segundo monitor, aumentando consideravelmente a área livre para o trabalho. Além disso, o suporte ao 3D Instantâneo foi adicionado a todos os ambientes de trabalho, facilitando a modificação instantânea do projeto, tanto no ambiente de peças quanto de conjuntos”, afirma Timoteo Müller.
O software da McNeel, Rhinoceros, especialista em design, traz como inovação na sua versão 4 a tecnologia UDT (Universal Deformation Technology) e passa a ser um dos primeiros softwares a fornecer aos designers ferramentas de livre deformação de sólidos trazendo ainda mais flexibilidade ao processo de concepção de produtos.
Destaque
O que faz um software para design se destacar no mercado se todos os desenvolvedores estão implementando as mesmas coisas? Apesar disso, há quem encontre diferenças para o software se destacar aos olhos da concorrência e dos usuários.
“Para ser eficiente e se destacar entre as soluções existentes no mercado, um software para design precisa atender dois pontos cruciais: O primeiro refere-se à interface com o usuário, ou seja, o software precisa dar ao designer liberdade para capturar suas idéias e, principalmente, comunicá-las aos demais públicos envolvidos no projeto (engenharia, equipe de marketing, cliente etc.)”, afirma Marteleto, da Autodesk. O segundo ponto, de acordo com o executivo, é a conectividade com outros processos de produção de um produto. Por mais poderoso e cheio de recursos que um software para design seja, ele só estará completo quando possibilitar a conexão com outros processos que envolvem o seu ciclo de vida como engenharia, produção, marketing permitindo, desta forma, o aproveitamento efetivo das vantagens da prototipagem digital.
Glauber Longo, da Missler, tem opinião semelhante. “A integração do software de design com outros de projeto de molde, estampos e de CAM representa um ganho potencial fantástico, especialmente quando há necessidade de alterações no produto após a fase de concepção.”
A facilidade de uso pode significar o lançamento de um produto mais rapidamente. “O software de design precisa possuir capacidades para uma concepção rápida do produto e sua rápida apresentação, além de simular diferentes conceitos e apontar as melhores propostas, integrando diferentes especialidades dentro da empresa”, afirma Timoteo Müller, gerente técnico da SolidWorks Brasil.
Escolha
A escolha de um software para design merece alguns cuidados. Em primeiro lugar você precisa decidir se quer comprar um software independente e especialista em design ou o módulo de design de um PLM como NX, CATIA e PRO/E ou se prefere usar um CAD mecânico genérico como o SolidWorks e o Inventor, que também têm ferramentas de design, embora esses recursos não venham em um módulo separado.
“Existem vários processos envolvidos durante a fase conceitual de um produto como sketches, maquetes em resina ou clay, engenharia reversa, alisamento de superfícies e integração com a parte funcional do produto. O importante é que o software escolhido seja capaz de contemplar o maior número ou, se possível, todos esses processos para que a empresa tenha uma solução completa de design”, afirma Artur Zanetti
É preciso verificar também a capacidade de geração de modelos 3D, ferramentas para criação de superfícies e sólido e a conectividade com os demais softwares e processos de produção. “Um software adequado ao design é aquele reduz o custo de desenvolvimento de produto (ou seja, se paga por meio da conexão inteligente com os softwares de engenharia) e possui ferramentas criativas que permitem transformar idéias em produto”, afirma Marteleto.
Outro cuidado é não comprar software sem testá-lo e usá-lo nas tarefas do dia-a-dia. Para isso todos os fornecedores têm cópias de avaliação com prazo de validade de 30 dias, em média, e você deve solicitá-las antes de bater o martelo da compra.
“Somente uma apresentação do software não é mais suficiente, pois não aponta possíveis deficiências e até mesmo facilidades não esperadas. A opinião do usuário no processo de escolha do programa também é fundamental, pois o sucesso na aderência a uma nova plataforma passa pelo projetista. A questão custo vem na seqüência e a compatibilidade/integração com outros softwares também deve ser considerada”, afirma Jonny Garcia.
Ana Lúcia, da Seacam, recomenda aos pretensos usuários pensar em uma solução para o desenvolvimento de produto e não olhar simplesmente para os softwares existentes no mercado de forma separada. ”Um software de design precisa atender a todas as etapas do design e não somente uma fase do projeto.”
Para Timoteo Müller, da SolidWroks, o software de design precisa ter recursos para concepção e apresentação rápida de produtos, além de simular diferentes conceitos, apontar os melhores e integrar diferentes especialidades através de uma tecnologia fácil de usar.








