“A diversificação de produtos nas empresas, a rápida substituição dos modelos produzidos e a forte concorrência internacional fazem com que a produção de um mesmo item seja reduzida drasticamente, privilegiando a produção flexível.”
Essa visão do engenheiro e diretor de vendas da Ergomat, Alfredo Ferrari, mostra a importância das máquinas-ferramenta com CNC para viabilizar esse novo formato de produção que o competitivo mundo globalizado solicita às indústrias.
Ele observa que a alta demanda dos consumidores por novos produtos ou novos modelos do produto está fazendo com que a produção em série (grandes lotes de produtos iguais) seja substituída por conceitos de fabricação como o “Just in time” ou Kanban, que têm por princípio a produção econômica, em pequenos lotes variados (quase personalizados), atendendo só o que o mercado solicita.
O conceito, idealizado pela Toyota nos anos 50 (quando o Japão ressurgiu da segunda guerra mundial) para competir com as montadoras americanas e européias que produziam grandes séries para baratear o produto, vem sendo adotado pelas indústrias de todo o mundo para atender aos novos anseios dos consumidores ávidos por novidades.
Essa mudança nos conceitos de produção reflete diretamente no mercado de máquinas-ferramenta com CNC que hoje representam uma importante alternativa para a fabricação de produtos em pequenos lotes. Segundo Ferrari, as máquinas CNC são uma das soluções mais apropriadas para viabilizar esse tipo de produção porque possibilitam curtos ciclos de trabalho, rápida preparação da máquina entre uma peça e outra e garantem alta precisão e a qualidade do produto final.
As indústrias automotivas, de autopeças, componentes hidráulicos, pneumáticos, eletrodomésticos, produtoseletroeletrônicos, telecomunicações, aeroespacial, bens de capital, máquinas agrícolas e equipamentos médicos são as grandes beneficiadas com o uso das máquinas CNC.
Empresas que estão aproveitando os bons ventos da economia brasileira para investir em novos equipamentos movimentando o mercado de máquinas-ferramenta. “O Brasil é um mercado para 1.500 máquinas por ano, com um forte vetor de crescimento”, afirma Ferrari.
A Romi, empresa com atuação em vários países, pretende vender, em 2008, 500 máquinas-ferramenta CNC. A empresa investiu R$ 50,8 milhões, em 2006, para ampliar a produção de máquinas-ferramenta e hoje tem capacidade anual para produzir quatro mil unidades: tornos, centros de torneamento e centros de usinagem, todos com CNC, além de máquinas injetoras e sopradoras de plástico e tornos convencionais, sem CNC. O investimento aumentou a capacidade de produção em 30% e a produtividade de 10,9%.
HSM em ultitarefa
Os recursos para usinar em alta velocidade ou HSM – High Speed Machining e trabalhar com múltiplas ferramentas simultaneamente são tecnologias que vêm se consolidando nas novas máquinas-ferramenta possibilitando a usinagem de peças complexas com mais precisão e melhor acabamento o que resulta em mais produtividade e qualidade.
Hermes Lago, diretor comercial de máquinas-ferramenta, da Romi, diz que os benefícios das máquinas multitarefa e de alta velocidade aparecem mais na usinagem de peças complexas. Esse tipo de usinagem em uma máquina convencional exigiria várias trocas de ferramentas e as máquinas multitarefa fazem isso automaticamente diminuindo ou eliminado as paradas para a troca de ferramentas, enquanto a alta velocidade efetua cortes mais rapidamente e com mais precisão.
Porém, nem todas as indústrias necessitam ter máquinas-ferramenta multitarefa ou com HSM ou CNC. Essas tecnologias têm um custo que talvez uma pequena empresa não possa bancar. É por isso que a Romi ainda vende uma média de 300 máquinas convencionais por ano.
Assim, qualquer indústria deve estudar bem a escolha de uma máquina-ferramenta levando em conta a melhor relação custo/ benefício, o tamanho das peças a serem produzidas, a geometria das peças, suas tolerâncias, o grau de acabamento superficial e o tamanho dos lotes a serem produzidos.
Máquinas de corte
No segmento de máquinas de corte, cresce o uso das máquinas com corte a base d’água, diferentes das máquinas com corte a base de oxicorte, laser ou plasma.
Existem equipamentos a base d’água, fabricados pela Flow Latino, por exemplo, com capacidade para cortar peças em alumínio, bronze, mármore, granitos, metais, inox, cerâmica, vidro, titânio, papéis, alimentos, madeira, espuma, borracha, plástico etc.
Andrea Luka Cazarotti, gerente de marketing e analista de relações públicas, da Flow Latino, explica que a tecnologia a base d’água pode ser mais veloz que o corte por eletro-erosão a fio, mais barata que o corte a laser e não incide calor sobre a peça.
Entre as novidades nesse mercado está a tecnologia Hyperjet, um sistema de corte com jato de água a 87.000 psi ou 6000 bar. “A Flow foi a primeira empresa no mundo a criar um sistema com essa pressão, abrindo novas dimensões no mercado, quando comparado ao sistema de 4100 bar”, afirma Andrea.
Segundo ela, o corte a 6000 bar leva a um aumento considerável de produtividade em qualquer segmento da indústria. Nesse processo a água, pressurizada até 6000 bar e forçada por um orifício muito estreito, gera jatos de água com velocidade de quase 1200 metros por segundo (4 vezes a velocidade do som).
www.ergomat.com.br / www.flowlatino.com / www.romi.com.br








