Friday, Jul 30th

Último update:05:43:46 PM GMT

Você está aqui: Conteúdo Reportagens Softwares estão se tornando verdadeiros gerenciadores da manufatra
Banner

Softwares estão se tornando verdadeiros gerenciadores da manufatra

E-mail Imprimir PDF

 

Simulação fica mais realista e aumenta a capacidade de controlar processos de usinagem complexos.

De acordo com os principais institutos de pesquisa o setor mundial de CAM deverá faturar US$ 1,3 bilhão, em 2005, apresentando um crescimento de 8% em relação ao ano de 2004. No Brasil a expectativa, segundo Roberto Cortes, diretor da Conceptech, é consolidar um crescimento na ordem de 25%.

Esses números expressivos mostram que há muito tempo os softwares de CAM deixaram ser apenas sisteminhas para programação de máquinas-ferramenta. “Os softwares de CAM estão se tornando verdadeiros gerenciadores da manufatura”, afirma José Eduardo Escobar, diretor da UVW Computação Gráfica, revenda do Esprit.

As soluções de CAM estão cada vez mais integradas à estratégia global das empresas e, a cada dia ganham novos recursos gráficos para simulação dos processos com mais realismo, além de mais integração com os sistemas CAD, capacidade para acumular conhecimentos e reaproveitá-los em usinagens futuras e recursos que aumentam a inteligência das máquinasferramenta.

Os softwares permitem, por exemplo, simular todo o cabeçote da máquina, garantindo alta visibilidade de todo o processo de usinagem. Além disso, permitem fazer simulação dinâmica real em sólido de toda a máquina, garantindo um try out ainda na tela do computador, diminuindo os testes no chão-de-fábrica.

“Os atuais sistemas de CAM realizam a programação de todos os tipos de usinagem CNC com mais rapidez e precisão porque importam modelos nativos dos softwares de CAD e usam gerenciadores de ferramentas”, explica Siegfried Koelln, diretor da SKA. Também os softwares utilizam modernas técnicas e linguagens de programação orientadas a objeto para o desenvolvimento de pós-processadores, trazem templates e wizards e permitem trabalhar em ambiente colaborativo.

Os desenvolvedores se esforçam para oferecer ferramentas capazes de acelerar a usinagem através de estratégias mais eficientes para a criação dos caminhos de ferramenta. “Quanto mais otimizados forem os caminhos das ferramentas, mais rápida será a usinagem”, afirma Roberto Cortes, da Conceptech. Além disso, os desenvolvedores investem na automatização das operações repetitivas como identificação de furações, usinagem de sobras de material etc.

A capacidade de acumular conhecimentos está cada vez mais presente nos sistemas CAM. Os softwares ganham ferramentas capazes de capturar processos e garantir a repetibilidade das operações e condições de usinagem, economizando tempo e dinheiro durante os processos de fabricação. “Essas novas funcionalidades/visões permitem que as pequenas empresas e as ferramentarias ganhem competitividade e mercado, reduzindo custos através da eliminação do retrabalho e da diminuição de erros”, afirma Edvaldo Guimarães, analista de marketing técnico, da UGS.

Arthur Zanetti, gerente de vendas PLM da Temes, observa que cada vez mais os sistemas estão reconhecendo as geometrias e propondo estratégias segundo bancos de dados com padrões préestabelecidos. Por exemplo: ao identificar a existência de um furo com tolerância H7 o CAM saberá imediatamente qual a sequência de operações necessárias para confecção desse furo de acordo com os padrões pré-estabelecidos pela empresa.

Além dos softwares de CAM para usinagem de peças e produtos manufaturados, o mercado conta também com os softwares para corte de chapas utilizando tecnologias de corte a laser, a jato de água, entre outras. Os softwares têm alguns conceitos semelhantes aos dos CAM tradicionais, umadas diferenças é que eles evoluem no sentido de otimizar o corte das chapas racionalizando o encaixe das peças para minimizar o desperdício de material.

Te n d ê n c i a s

A evolução das tecnologias de usinagem (máquinas e softwares) corre em paralelo. As máquinas-ferramenta evoluem para acompanhar os softwares de CAM e vice-versa. Os softwares com capacidade para suportar usinagem em alta velocidade (HSMHigh Speed Machining) e as máquinas multitarefa com múltiplas torres e cabeçotes, por exemplo, conquistam cada vez mais mercado. “A grande tendência no mercado de máquinas-ferramenta são os modelos CNC multitarefa capazes de usinar, fresar e tornear ao mesmo tempo”, afirma João Abreu, diretor da AbrSystems.

Para acompanhar essa tendência os sistemas CAM trazem cada vez mais ferramentas capazes de sincronizar e otimizar operações simultâneas e simular todo o cinematismo da máquina durante a usinagem. “Os softwares que não acompanharem essa evolução terão um mercado muito limitado”, diz Matheus Terra, diretor da TS Sistemas, revenda do GibbisCAM.

Começa a se consolidar também a usinagem de sólidos, facilidade que acelera processos de usinagem. “A padronização dos processos de fabricação das empresas em conjunto com a possibilidade de se trabalhar com sólidos, tem permitido a geração de forma automatizada de vários tipos de programa CNC”, afirma Dirceu Machado Júnior, gerente técnico da SKA.

A integração entre CAD, CAM e máquinas ferramenta deve ficar cada vez mais transparente para o usuário. Essa comunicação rápida e simples entre o usuário e ambas as ferramentas é fundamental para manter o sincronismo entre projeto e manufatura, minimizando erros de revisão e redefinição da usinagem quando o projeto for alterado.

As facilidades de uso oferecidas pelas máquinas-ferramenta influenciam diretamente na evolução dos softwares “As máquinas de última geração trazem cursos de mesas, magazine de ferramentas com altas tecnologias e, acabam ditando as tendências para os softwares de CAM”, observa Jakson Pires, consultor técnico da Grapho.

I n d e p e n d e n t e s x P LM

Comprar um software de CAM independente ou o módulo integrado a um PLM? Essa é uma dúvida que ainda paira na mente dos empresários na hora de comprar uma solução de CAM. Quais são as vantagens e desvantagens de usar um CAM independente?

Essa é uma questão que precisa ser muito bem esclarecida antes da compra do CAM. Estudos mostram que nos EUA o setor automotivo gasta mais de US$ 1 bilhão com os processos de troca de arquivos. Isso demonstra a importância da perfeita integração entre os softwares de CAD e de CAM.

Segundo os especialistas, a interoperabilidade é melhor quando o CAM faz parte de um PLM. Ela reduz tempo, erros de manufatura e melhora a qualidade dos produtos. Hélio Samora, diretor da PTC para a América Latina, diz que a tendência é as empresas buscarem softwares realmente integrados que atendam às suas necessidades sem os problemas de tradução, conversão e retrabalho dos softwares independentes.

Ou seja, ele acredita que as melhores alternativas são os módulos de CAM dos pacotes PLM. O Pro/Engineer, da PTC, o Catia, da Dassault e o NX, da UGS, trazem esse tipo de solução.

Porém, como nada é perfeito, tanto as soluções independentes quanto os softwares integrados têm seus prós e contras.

Para Roberto Cortes, da Conceptech, a principal vantagem dos sistemas CAM independentes está no fato de o usuário não ter de ocupar uma licença de CAD enquanto programa a usinagem das peças. A desvantagem é que nem sempre a comunicação entre CAD e CAM se dá de maneira tranquila.

Outra vantagem dos softwares independentes, segundo os especialistas, é a capacidade de atender a todas as máquinas do cliente com uma única licença. Isso, segundo Ziegfried Koelln, da SKA, reduz as necessidades de mão-deobra, de treinamento, de adaptação e, consequentemente, os custos de propriedade.

“A independência permite que o cliente tenha liberdade na escolha de qualquer sistema adequado à sua realidade, sendo empresa de pequeno porte ou uma grandes corporação”, afirma Carlos Marcovici, gerente geral da Ascongraph.

Para Ricardo Romani Pinto, gerente de vendas da Frame, além de os softwares independentes serem fáceis de usar, esses sistemas têm outras vantagens: exigem pouco treinamento, são 100% dedicados a oferecer recursos de usinagem, são sistemas abertos e podem ser customizados e alterados pelo próprio operador. Como desvantagens nesses produtos ele vê a falta de associatividade e de integração mais fina com os softwares de CAD.

Além disso, os softwares independentes exigem um prazo inicial de implantação maior, já que o software precisa ser adaptado para cada máquina enquanto um software dedicado (integrado a um PLM) já tem essas adaptações feitas previamente.

O CAM integrado ao PLM tem outras vantagens. As informações ficam mais amarradas e fáceis de localizar dentro do sistema de gestão e os links entre manufatura, desenvolvimento, almoxarifado, compras, entre outros, são realizados através do pacote PLM.

A desvantagem, segundo Cortes, pode estar na dificuldade de negociação na hora de comprar o sistema. Nem sempre o CAM integrado ao PLM é a melhor opção, mas ao comprar o PLM o usuário acaba optando pelo seu módulo de CAM, sem avaliar alternativas.

Ricardo Romani, da Frame, diz que o CAM integrado ao PLM tem a vantagem da geometria associativa, mas, por outro lado, é um sistema pesado, requer treinamento intenso, é pouco flexível, tem dificuldade em se adaptar às necessidades do chão-de-fábrica e, muitas vezes, o produto tem arquitetura fechada, não permite alterar os pós-processadores.

Uma solução integrada a um PLM, segundo João Abreu, diretor da AbrSystems, pode limitar muito o uso do CAM, porque geralmente são produtos não tão especializados e dedicados ao mercado da manufatura. Também existe a questão do custo desses produtos, que são muito superiores aos valores dos CAM independentes.

E s c o l h a

A compra de um CAM deve ser cuidadosamente estudada porque um erro na escolha pode trazer prejuízos irreparáveis à produção.

Por isso, o usuário deve avaliar as necessidades da empresa e fazer estudos comparativos dos produtos disponíveis no mercado.

É fundamental também considerar as facilidades de aprendizado e de uso, o suporte técnico, as possibilidades de personalização da solução de acordo com as máquinas CNC e a integração com os vários softwares de CAD existentes no mercado, principalmente com o sistema usado pela empresa. É importante avaliar também os recursos de simulação.

“As simulações executadas devem refletir o mais próximo possível a realidade da máquina CNC que a empresa usa ", diz Pires, da Grapho.

Além de atender às necessidades atuais da empresa, o usuário necessita pensar também nas tendências tecnológicas. José Eduardo Escobar, da UVW, diz que o usuário deve escolher um sistema que permita programação para usinagem HSM, por exemplo, pois a tecnologia é uma tendência. Além disso, o software deve ser modular para atender futuras expansões ou atualizações de tecnologia, como a instalação de máquinas mais avançadas.

Segundo Carlos Marcovici, da Ascongraph, a indústria de bens de capital e os setores de produção de manufaturados e de moldes são os principais compradores de CAM.

Matéria publicada em 2005.

 

Share/Save/Bookmark