Hoje quando se fala em softwares CAM, para programação da usinagem de moldes, peças ou produtos, nas máquinas CNC, logo vêm à mente dois recursos bastante comentados no mundo da produção:
facilidades para as máquinas CNC operarem com múltiplas ferramentas simultaneamente e features para usinagem em alta velocidade ou HSM-High Speed Machining.
“Quando falamos em HSM estamos falando de avanços de corte até 10 vezes mais rápidos do que aqueles obtidos em usinagens convencionais. Algo como 1.400m/min, em aço, e rotações de ferramenta superiores a 40.000 rpm”, afirma Raul Arozi, gerente de vendas e suporte da SolidCAM America Latina. Sobre as máquinas multitarefa, Arozi explica que o ganho está na usinagem de peças com um número muito reduzido de setups. Assim, peças que eram usinadas em duas ou mais máquinas convencionais, exigindo três ou mais setups, passam a ser usinadas em apenas uma máquina e, em sua maioria, com apenas um setup.
Uma máquina multitarefa pode ter, por exemplo, dois cabeçotes, dois magazines de ferramentas e podem trabalhar com torneamento e fresamento na mesma peça ou em peças distintas simultaneamente. “A flexibilidade oferecida por essas máquinas é impressionante e o CAM evolui para acompanhar esses avanços tecnológicos”, afirma Arozi.
Esses avanços se traduzem em uma corrida dos desenvolvedores de softwares CAM para alcançar a evolução das máquinas CNC e vice-versa, tendo em vista que um não caminha sem o outro. “A programação para máquinas multitarefa e de alta velocidade é extremamente complexa e difícil de fazer sem um CAM”, afirma Gabriel Diehl Fleig, gerente de marketing da SKA. Além de novas features para facilitar a programação, os desenvolvedores de softwares se empenham em oferecer sistemas CAM com interfaces mais amigáveis para a definição das operações e seqüências de usinagem.
A automatização da programação das máquinas CNC é outro ponto que os desenvolvedores de CAM se esforçam para melhorar em seus softwares, visando tornar essa tarefa mais fácil e rápida. Muita coisa já foi feita, reduzindo o número de variáveis para programação de operações complexas e as tarefas repetitivas, mas a tecnologia pode melhorar ainda mais.
De acordo com os especialistas, além dos tópicos mais gerais como simulação de máquina com checagem de colisão, os sistemas CAM estão inovando na capacidade de definir as ferramentas e o processo de usinagem. Já existem softwares capazes de adaptar os caminhos das ferramentas para diferentes eixos permitindo à máquina multitarefa utilizar para uma mesma operação diferentes combinações de eixos, adaptando-os às modificações de referência.
E s c o l h a
A combinação do CAM com a máquina CNC não chega a ser um problema, a grande maioria dos softwares funciona nas principais máquinas disponíveis no mercado. Seja qual for o software comprado o usuário não ficará com a máquina CNC sem trabalhar por incompatibilidade entre software e máquina, mas mesmo assim existem critérios de escolha do software que ajudam a optar por uma solução mais adequada.
A escolha de um sistema CAM, de acordo com os especialistas, exige mais cuidado do que a escolha do CAD e do CAE porque envolve máquinas que custam até centenas de milhares de dólares e materiais de alto custo e, qualquer falha na escolha do CAM, poderá trazer prejuízos elevados.
“O ideal é realizar benchmarks e listar os pontos fortes e fracos de cada sistema enumerando os mais importantes para a empresa, quais os ganhos diretos e indiretos o software trará; a capacidade de integração com softwares de gestão e com o CAD utilizado pela engenharia, agilidade e facilidade na definição das estratégias de usinagem e, é claro, o custo do software”, recomenda Raul Arozi.
É preciso haver também um equilíbrio entre as necessidades atuais e futuras da empresa para não subdimencionar ou superdimensionar o CAM. “Às vezes, a empresa procura soluções para programar usinagem em 3D, mas se esquece de que entre 70% e 90% de suas usinagens são em 2,5D”, diz Glauber Longo, diretor comercial da Missler Brasil.
O f u t u r o
Quando se fala na evolução dos sistemas CAM a automatização e a integração com outros softwares só tendem a crescer. A tendência é que o CAM seja mais automatizado permitindo que a programação da usinagem seja ainda mais rápida e eficiente. Os desenvolvedores apontam para
uma integração maior entre CAM, CAD, CAE e sistemas de gerenciamento de projetos, trazendo mais agilidade e segurança aos dados e processos de usinagem.
“Não vejo futuro para os programas proprietários. A integração é inevitável e necessária, tanto em termos de arquivos quanto de intercâmbio entre programas de diferentes desenvolvedores, por isso as soluções proprietárias tendem a desaparecer”, afirma Jonny Garcia, diretor da Visualcad.
A capacidade de armazenar conhecimento sobre os projetos executados para reaproveitamento em projetos futuros, um conceito bastante explorado nos sistemas CAD, começa a chegar ao CAM e também deve evoluir.
Alguns softwares já são capazes de capturar a informações sobre um componente usinado guardando o conhecimento para usinagens futuras. “O uso das melhores práticas para a padronização dos métodos de usinagem no CAM permite à produção reduzir drasticamente o tempo de programação e aumentar a produtividade e a qualidade da usinagem, afirma Gabriel Fleig, da SKA.








