Hoje muito se fala em PLM como a solução perfeita para uma empresa controlar todo o ciclo de vida de seus produtos, enquanto outros sugerem o uso de um PDM, uma parte do PLM, portanto uma solução mais simples, para controle de dados do produto, mais em nível de engenharia.
A verdade é que poucos sabem o que significa PLM (em português, Controle do Ciclo de Vida do Produto) nem quantos módulos ou softwares de um pacote high-end é preciso ter nem o que fazer para que a empresa cliente possa dizer que tem um PLM. O mesmo acontece com o PDM solução para controle de dados do produto que às vezes é confundido com o PLM. Então
vejamos duas definições feitas pelos representantes da Siemens e da Dassault desenvolvedoras de PLM:
“Como mostra a sigla, o PDM é uma tecnologia para gerenciar os dados do produto e o PLM é uma estratégia de negócio da empresa baseada na propagação colaborativa e gerenciamento das informações desde o conceito do produto até o fim de seu ciclo de vida, integrando
pessoas de criação e processos e disponibilizando ao sistema de negócio as informações necessárias”, define Ruy Barancoski, supervisor técnico de Teamcenter, da Siemens.
Marcos Trujillo, gerente de branding e vendas do Enovia, da Dassault, para a América Latina, tem uma visão
similar: “O PLM é um conceito em que o ciclo de desenvolvimento de um produto é assistido por várias soluções com uma base única de armazenamento, tendo como vantagens, por exemplo, o reuso de dados de projetos anteriores para o desenvolvimento de novos projetos, além da rastreabilidade e controle de acesso sobre as informações do produto”.
Apesar disso parecer claro, na realidade não é tanto assim, e a empresa pode comprar gato por lebre, ou seja, comprar um PDM e já achar que tem um PLM completo. Isso vai depender da capacidade do
PDM e dos outros aplicativos que serão integrados a ele como sistemas CAD, CAE, softwares de simulação etc. e, da forma como as informações e o ciclo vida do produto serão gerenciados.
Tam bém pode ser que a empresa não necessite de tudo que tem um PLM. “Muitas empresas fazem altos
investimentos em uma solução PLM, quando uma solução PDM já atenderia às suas necessidades”, afirma Stutz, gerente da Autodesk América Latina para Manufatura.
Timoteo Müller, gerente técnico da SolidWorks Brasil, explica que a solução PDM é parte obrigatória de uma solução completa de PLM e deve ser capaz de gerenciar dados de engenharia, auxiliando no controle de documentos de projeto, suportar listas de materiais do CAD e visualização completa e integrada de todo o projeto. Além disso, o PDM deve ser totalmente integrado à ferramenta CAD e, auxiliar à engenharia na comunicação entre os indivíduos sobre alterações e informações do projeto.
Quando se fala com os desenvolvedores de PLM e PDM cada um quer puxar a brasa para sua sardinha dizendo que é melhor adquirir um PLM outros que é melhor comprar um PDM. A verdade é que como vimos nas definições aqui apresentadas o PDM é só um pedaço do PLM e não deveria haver dúvidas sobre comprar um ou outro. “Existem soluções mais ou menos abrangentes que incorporam diferentes aspectos do ciclo de vida do produto”, dizem os desenvolvedores. Outra questão envolve o porte da empresa. Hoje o que se vê no mercado é aquele conceito de que empresa grande compra um pacotão de softwares que compõem o PLM (CAD, CAE, softwares de colaboração etc.) para gerenciar o ciclo de vida do produto e as pequenas e médias deveriam comprar PDM para controlar dados do produto, mais em nível de engenharia, mas as coisas não são assim: preto no branco.
Para os desenvolvedores a escolha de um PLM ou PDM depende da necessidade de integração entre as diversas áreas da empresa, fluxo de informação, conectividade com parceiros, fornecedores e clientes. “Parece que depende mais do “negócio” da empresa do que simplesmente do seu porte, porque os problemas de conectividade e fluxo de informações das pequenas e grandes empresas são bastante parecidos”, afirma Ruy Barancoski, da Siemens.
Timoteo Müller considera o PDM recomendável independente do porte da empresa interessada. Sempre a empresa necessitará de um PDM para gerenciar seus dados de engenharia e outros documentos, pois o gerenciamento eletrônico da documentação é parte obrigatória da solução PLM completa.
“O PLM controla todo o processo da empresa, mas é amarrado a várias soluções, processos e aplicativos da empresa, fornecedores e clientes. Assim, empresas que necessitam do PLM podem iniciar com um PDM que tem um tempo de implementação menor e um retorno de investimento mais rápido”, afirma Müller.
Nem todos acreditam na possibilidade de todas as empresas alcançarem o PLM completo. As pequenas empresas que não podem comprar e implantar um PLM investem em PDM, que é uma solução mais simples e barata e pode atender à maioria de suas necessidades. “Geralmente empresas de pequeno e médio porte buscam uma solução com bom custo/benefício para manter sua competitividade no mercado”, afirma Stutz. Para ele a grande desvantagem das soluções PLM é o processo de implementação, pois requer alto índice de customização e muitas horas de mão-de-obra.
Escolha
Os tradicionais cuidados tomados antes de escolher qualquer software continuam valendo para a escolha de um PDM ou de um PLM, este com todos os softwares que o compõem: Definir aonde quer chegar; contratar uma consultoria especializada; definir a solução mais adequada às necessidades da empresa e desenvolver um plano de implementação. É importante levar em conta também referências do fornecedor do software; suporte local; escalabilidade do software; suporte a múltiplos CADs e integração com sistemas como ERP e CRM.
“Eu avaliaria primeiramente os meus processos, as minhas necessidades e os meus maiores “gargalos” e inconsistências no fluxo de informações. Tendo claros os objetivos teria a preocupação de escolher uma solução que realmente fosse abrangente e oferecesse a oportunidade de remover barreiras e agilizar o fluxo de informações em minha empresa”, afirma Ruy Barancoski, da Siemens.








