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Manufatura rápida

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Um passo à frente da tradicional Prototipagem Rápida.

No mundo das tecnologias tudo evolui e tudo se transforma quando menos esperamos. E é isso que está acontecendo com a PR - Prototipagem Rápida, que evoluiu e, hoje, além dos protótipos rápidos, permite fazer peças e produtos rápidos ou finais, MR -Manufatura Rápida.

Assim, não dá mais para chamar a tecnologia de PR, porque a MR não se encaixa embaixo deste guarda-chuva. Por isso está surgindo um novo termo que abriga PR e MR, a Fabricação Aditiva ou FA, que define melhor as duas tecnologias de protótipos rápidos e de peças rápidas ou finais. Guarde bem essa sigla, FA, que na essência define como os protótipos e as peças rápidas são construídos, pela adição de camadas. Agora vamos ao nosso assunto, a MR, desculpe-me pela sopa de siglas, mas não dá para evitá-la.

Nem bem a Prototipagem Rápida – PR se consolidou e a indústria equipamentos para esse tipo de aplicação começa a propor novos horizontes para a utilização de suas máquinas, a Manufatura Rápida, ou seja, o uso dos mesmos equipamentos de PR ou máquinas mais sofisticadas e materiais mais resistentes para a produção de protótipos funcionais ou peças e produtos finais.

O assunto ainda é tratado como uma novidade emergente e os fabricantes estão tentando “catequizar” pequenos grupos de usuários da PR para que eles usem a MR, mas o esforço dessas empresas para arrebanhar usuários para esse tipo de aplicação é notável. Os fabricantes de soluções para MR estão no caminho certo ao abordar os usuários da PR, pois eles estão mais suscetíveis à novidade, MR.

No mês de agosto, duas das maiores fabricantes de equipamentos, Stratasys e 3D Systems, estiveram em São Paulo realizando, em parceria com seus distribuidores, Sisgraph e Robtec, respectivamente, seminários nos quais o tema central foi a Manufatura Rápida.

O seminário da Stratasys/Sisgraph foi específico sobre MR, para um grupo selecionado de clientes usuários da PR tradicional. Fred Fischer, gerente de marketing, da Stratasys, admitiu ter vindo ao Brasil para“catequizar” os pretensos usuários da MR.

Nada como conhecer bem para vender melhor, e é isso que a Stratasys está fazendo. Fischer mostrou como a empresa está usando peças definitivas, MR, em suas máquinas de prototipagem e também como usou a tecnologia para fabricar dispositivos para facilitar a montagem de componentes das máquinas.

Ele apresentou também exemplos de peças de produtos como o painel de uma moto personalizada desenvolvidas pelos clientes da companhia. A Stratasys oferece para a MR, materiais que considera nobres e amplamente aceitos pela comunidade de engenharia como o ABS, o Policarbonato e o Polifenilsulfona.

O seminário da Robtec abordou outros assuntos, como digitalização 3D, a PR, mas o que mais chamou a atenção foi a palestra de Gregory Elfering, vice-presindente global de marketing e vendas, da 3D Systems, sobre os novos materiais que a empresa vem desenvolvendo para que suas máquinas possam ser usadas também para Manufatura Rápida.

São vários novos materiais que a 3D Systems está desenvolvendo para a fabricação de produtos e peças finais. Produtos da linha DuraForm, que inclui plástico como o polipropileno, que pode ser usado nas máquinas atuais, e também alumínio, titânio e cobalto que dependem de máquinas específicas para a produção das peças e produtos. Os novos materiais ainda estão sendo testados e usados em projetos experimentais. Ele citou o caso de uma montadora japonesa que fez experiência com o polipropileno e está interessada em usar principalmente esse material porque é mais parecido com os materiais usados hoje nos automóveis.

O executivo disse ainda que essa indústria e outras montadoras estão interessadas em usar a Manufatura Rápida para produzir, por exemplo, painéis muito complicados de montar, entre outros componentes. “Com o novo plástico (DuraForm Polipropileno) e usando a tecnologia de SLS (Sinterização a Laser) é possível produzir até o carro todo.” Sérgio Oberlander, diretor comercial, da Robtec, disse que as maquinas de sinterização são ideais para Manufatura Rápida, pois processam materiais com propriedades excelentes.

A fabricação de peças e produtos em alumínio, titânio e cobalto será uma ótima solução para as áreas médica e odontológica, para a produção de próteses dentarias e para a substituição de ossos de determinadas partes do corpo como a face, o joelho e também para a produção de aparelhos auditivos sob medida. Para essas e outras aplicações a 3D Systems conta com um scanner 3D para digitalização das partes do corpo a serem trabalhadas oferecendo alta capacidade de calibração.

A MR com os novos materiais que estão sendo desenvolvidos pela 3D Systems e a Stratasys pode ser usada também nas primeiras etapas de desenvolvimento de um produto, quando a empresa tiver interesse em produzir pequenos lotes para experimentar melhor o produto, mas talvez o seu maior ganho seja na produção de peças definitivas como grelhas para aviões, aquela placa com furos, que fica na saída do ar condicionado, (a Embraer já vem fazendo esse tipo de uso), também podem ser fabricados dutos de aviões, entre outros componentes.

Sérgio Oberlander, da Robtec, disse que o objetivo do seminário, realizado em São Paulo, é mostrar à crescente indústria brasileira as últimas tecnologias que estão sendo lançadas e experimentadas lá fora. “A criação de novos produtos está aumentado e nós estamos realizando este seminário com o intuito de aumentar o suporte a essas empresas e mostrar a elas que o que está sendo usado lá fora pode ser usado aqui”. O executivo disse ainda que até o final do ano o DuraForm Polipropileno, para a produção de peças e produtos finais, estará disponível no Brasil. Os outros materiais alumínio, titânio e cobalto, que dependem de máquinas específicas, só em 2009.

Em fim, o grande objetivo da MR é reduzir o tempo de desenvolvimento e fabricação de produtos diminuindo o retrabalho, facilitando a comunicação da engenharia e assim, viabilizando produtos mais baratos do que aqueles fabricados pelos processos convencionais.

Talvez a apresentação de tantas novidades sobre a MR tenha empolgado demais a mim e às pessoas que assistiram aos seminários. Então vamos colocar os pés no chão e avaliar as reais possibilidades de tudo que está acontecendo sobre a Manufatura Rápida e como ela irá conviver com a Prototipagem Rápida.

Wilson do Amaral Neto, desenvolvedor de negócios, da Sisgraph, diz que o mercado de FA, se você não se lembra, Fabricação Aditiva, está vivendo o período de transição. Embora se fale em MR, no mercado de FA, a PR ainda domina a utilização dos equipamentos.

“As empresas ainda estão deixando a fase da experiência e partindo para desafios maiores. Para nós é uma honra podermos contribuir com essa expansão e tornar mais simples a geração de novos produtos, mas temos que acompanhar nossos clientes, conhecer suas necessidades. A MR está caminhando para a consolidação como meio de produção alternativo, mas ainda não é uma prática tão consolidada”, afirma Amaral Neto.

Ele observa que o número mais expressivo que existe no mercado de FA é o do crescimento do próprio mercado de Prototipagem Rápida. De acordo com o Wohlers Report 2008, o mercado de Fabricação Aditiva (FA) atingiu cifras da ordem de US$ 1,1 bilhão, com um crescimento da ordem de 16% em relação ao ano anterior. “A tendência, com os sistemas sendo utilizados para moldes funcionais e manufatura rápida, é que o crescimento do mercado de FA seja dezenas de vezes maior.”

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