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SolidWorks World Conferência

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Discussões sobre viagem espacial, futuro do CAD e novas experiência.

A conferência de usuários, SolidWorks World 2009, realizada pela SolidWorks, no mês de fevereiro, em Orlando (EUA), reuniu 4.300 pessoas que, além de se atualizar em nível tecnológico, puderam debater o futuro do CAD e até conhecer o projeto espacial desenvolvido pela Virgin Galactic, uma das dezenas de empresas do grupo Virgin, que atua nos mercados de música, aviação, finanças, viagens, shoppings etc.

Richard Branson, fundador do grupo Virgin e idealizador do avião espacial, falou sobre o projeto que pretende levar pessoas comuns ao espaço. O empresário, que desenvolve seu projeto espacial desde 1990, disse que o avião espacial poderá transportar seis pessoas e oferecerá vôos de 3 horas.

Ele acredita que no futuro haverá hotéis no espaço e “todo mundo” poderá decidir se quer passar férias nas Bahamas ou no espaço. Sobre os perigos que esse tipo de viagem oferece Branson disse que as viagens espaciais hoje são tão perigosas quando era atravessar o oceano a bordo do um avião no início do século 20. “Os aviões eram caríssimos e perigosíssimos e, hoje esse tipo de viagem é uma experiência segura e corriqueira.”

O curioso é que o design do avião espacial, apresentado em fotos durante o evento, foi inspirado em uma peteca. Os projetistas analisaram a peteca e se inspiraram nela para definir a forma do avião espacial, que tem umas hastes voltadas para cima lembrando as penas da peteca. Os projetistas acreditam que essas hastes irão diminuir a velocidade do avião espacial quando entrar na atmosfera, aumentando a segurança dos passageiros.

Branson criticou os aviões convencionais, que hoje cruzam o mundo, pelo desconforto e mau gosto na apresentação e, falou das mudanças que fez nas aeronaves de sua companhia Virgin Airlines, para oferecer mais conforto aos passageiros.

“Em geral os fabricantes de aviões não se preocupam em cuidar do bem-estar dos seres humanos. As cadeiras são rígidas e ficam próximas demais umas das outras causando desconforto aos passageiros. A luz das aeronaves é horrível e a decoração hedionda”, disse o empresário. Fundada há 26 anos, Virgin Airlines começou com um Boeing 747 de segunda mão, que foi totalmente remodelado para oferecer mais conforto aos passageiros.

Depois foi criado um padrão para as aeronaves da companhia que leva em conta os mínimos detalhes na hora de projetar uma aeronave. “Mudamos o jeito projetar cadeiras, o espaço entre elas, a luz e até a roupa dos comissários. Tudo foi customizado para o bem-estar dos passageiros.”

O empresário aproveitou o evento para mandar o recado aos projetistas que hoje desenham os mais diversos tipos de produtos. “Os projetistas têm que conversar muito com os consumidores antes de começar a desenhar o produto. Eles têm que conhecer a experiência dos futuros usuários do produto que estão projetando. Quais são as funções envolvidas e as frustrações dos usuários.” Quando o assunto é inovação ele diz que o bom projetista é aquele consegue dizer não a tudo que já foi feito e começar do zero a criação de um produto inovador.

Projeto social

O CEO da SolidWorks, Jeff Ray, chamou a atenção para produtos de cunho social que são desenvolvidos com os softwares da SolidWorks. Ele apresentou uma incubadora para bebês prematuros construída com peças de automóveis. Segundo ele, objetivo é tornar as incubadoras acessíveis a um número maior de bebês.

Os projetistas decidiram desenvolver uma incubadora diferente, pensando principalmente nos países emergentes nos quais os equipamentos hospitalares são caros e há poucos especialistas para operá-los e consertá-lo.

A meta com a nova incubadora é oferecer um produto mais barato, fácil de usar e de consertar. “Em qualquer lugar do mundo tem oficina mecânica de automóveis e esses profissionais vão poder consertar a incubadora”, disse Ray. A lâmpada que aquece o bebê, por exemplo, é um farol de automóvel.

Ray disse que os momentos de crise como o que se abateu sobra a economia mundial em 2008 e 2009, são para a SolidWorks um momento de se aproximar ainda mais dos usuários para saber o que eles estão fazendo e pedindo. “Não adianta sair cortando empregos é preciso investir mais em pesquisa, em desenvolvimento e na estrutura da empresa, para colher os frutos quando a crise passar.”

Ruim para uns, bom para outros. Ray vê nos momentos de crise uma grande oportunidade para a SolidWorks (que tem dinheiro em caixa), comprar novas tecnologias e empresas que lhe interessavam há tempos, mas estavam muito caras. “Agora talvez seja a hora de comprarmos novas tecnologias para completarmos nosso portfólio de produtos. Assim vamos melhorar os produtos que já oferecemos e ocupar brechas no mercado que ainda não são atendidas pela SolidWorks.

O CEO disse que os países que estão adotando barreiras alfandegárias estão completamente errados, eles têm é que investir em capacidade cerebral, no conhecimento em estado puro e nos seus talentos. “Acabou o tempo das proteções alfandegárias. Hoje, com a Internet as empresas vão buscar fornecedores talentosos e preços competitivos onde quer que eles estejam.”

Sobre a crise na América Latina Carlos Beato, diretor de vendas e operações da SolidWorks para a região, disse que a mensagem da empresa não mudou por causa da crise. “Cada vez mais a gente precisa mostrar às empresas que com nossas ferramentas elas conseguirão cortar custos e lançar produtos mais competitivos.”

Em tempos de crise os desenvolvedores de software necessitam mostrar ao mercado não só seus produtos, mas também que estão bem financeiramente e que têm estrutura e tecnologia para ajudar os clientes a melhorar seus negócios. “Temos que mostrar aos clientes qual é a amplitude da nossa capacidade em atendê-los. Por isso, estamos sempre procurando tecnologias que criem essa sinergia dentro de todo o processo de manufatura”, disse Beato. Segundo ele, apesar das incertezas do mercado, a SolidWorks vai continuar investindo na América Latina e no Brasil.

Mercado global

Os executivos da SolidWorks falaram também da expansão do mercado e da linha de produtos da empresa. Bertrand Sicot vice-presidente executivo de vendas, disse que em 2008 o crescimento no faturamento da empresa veio de múltiplos produtos, pois a agora a SolidWorks é mais uma empresa de um produto só, o CAD 3D. “Os softwares das áreas de simulação e PDM passaram a representar uma percentagem maior no faturamento do nosso mix de produtos”, disse o executivo.

O Japão continua sendo um ótimo comprador de software de empresas como a SolidWorks, a ponto de ultrapassar os Estados Unidos. “O Japão é hoje o mercado mais importante para a SolidWorks, depois vem América do Norte, Euroásia e América Latina”, disse Bertrand.

As boas notícias do Japão não eliminam a crise mundial, por isso, o executivo disse que SolidWorks continua trabalhando muito para fortalecer seus processos de vendas. “Estamos aumentando o número de negociações (tentativas de venda). Se antes trabalhávamos com 10 negociações, agora vamos trabalhar com 20 para atingirmos um número significativo de vendas”, disse Bertrand.

Independente da crise, Bertrand disse que o mercado nos países que compõem o grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) ainda não apresenta o crescimento que a SolidWorks esperava porque têm muita burocracia e pirataria e, para piorar a situação, as informações sobre esses mercados são imprecisas, principalmente sobre uso de softwares pirata. “Mesmo assim vamos continuar investindo nesses países porque são regiões estratégicas para nós.”

3D printer

Jon Hirschtick, co-fundador e executivo do grupo SolidWorks, falou sobre as tendências tecnológicas no mundo do CAD e nas tecnologias relacionadas à área. Ele chamou a atenção para a evolução das máquinas de prototipagem rápida de baixo custo. As 3D printers estão ficando cada vez melhores e mais baratas. “No começo esses equipamentos eram meio toscos, mas evoluíram muito e hoje permitem trabalhar com novos materiais e cores possibilitando visualizar um modelo físico de forma rápida e por um custo bem menor do que aquele gerado pela confecção de um protótipo físico pelos métodos tradicionais”, disse Hirschtick.

Em função disso, o executivo prevê o uso em massa desses equipamentos a ponto de os usuários de CAD usarem as 3D printers com a mesma facilidade que hoje usam as impressoras para imprimir papéis.

Ele citou a experiência real da New Balance, uma indústria de tênis que faz uma média de 100 protótipos/ mês. “Antes os projetistas levavam 15 dias para produzir um protótipo, agora com a 3D printer gastam cinco.”

Exposição

Além da conferência, a SolidWorks World 2009 contou com uma exposição na qual foram apresentados dezenas de produtos desenvolvidos com as ferramentas da SolidWorks, além de softwares e hardwares que complementam as soluções da SolidWorks, como uma profusão de impressoras 3D (3D printers) apresentadas pelos principais fabricantes de equipamentos para prototipagem rápida.

Empresas como Stratasys, 3D Systems tradicionais fornecedoras de equipamentos de grande porte e caros, aderiram ao mercado das 3D printer que são infinitamente mais baratas e já atendem várias aplicações na área de prototipagem. A Z Corp, tradicional nesse mercado, também compareceu com novos equipamentos, assim como a Objet.

www.solidworks.com/swworld

A jornalista Maria Edicy Moreira viajou a Orlando a convite da SolidWorks.

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