Desenho mecânico é uma linguagem técnica que permite que todos os povos leiam as ideias e normas de forma universal. Porém, para compreender essa técnica é preciso adquirir uma visão espacial aguçada e saber organizá-la.
O desenho técnico surgiu graças a um matemático , amigo fiel de Napoleão. Pois, foi justamente a pedido de Napoleão, que difundiu a teoria das projeções para que a França saísse à frente na Revolução Industrial dos ingleses.Desde então a teoria das projeções foram ganhando revisões e adequações técnicas e assim se tornando, hoje, essencial para desenvolvimento tecnológico de qualquer área da indústria.
Porém, hoje os desenhos técnicos não bastam, é preciso usar ferramentas para facilitar a visualização dos projetos na forma tridimensional facilitando a compreensão dos projetos principalmente pelos leigos e iniciantes no mundo da engenharia.
Por isso, busquei na “engenharia do sabão” uma solução para melhorar o desempenho dos meus alunos. Para que eles pudessem absorver os conhecimentos propostos na disciplina de mecânica, que ministro no SENAI.
A ideia de usar o sabão para ensinar desenho técnico surgiu quando observava um experiente projetista desenvolvendo um de seus produtos em pedras de sabão. “Antes de surgir a ferramentas 3D, tínhamos que desenvolver ferramentas que nos auxiliassem na compreensão de alguns produtos” disse o projetista, Sanches.
Assim adotei a “engenharia do sabão” na disciplina de desenho técnico. O estudo consiste em um desenho técnico, ferramentas e processos criados pelos próprios alunos. Desta forma além de absorverem os conhecimentos em desenho, eles desenvolvem uma visão de processos. “Assim podemos desenvolver produtos com a certeza que podemos construí-los” diz Fabrício, aluno de desenho técnico.
Em alguns casos foram criadas máquinas com materiais alternativos e, mesclando com o sabão, existe um vídeo no YouTube ilustrando nossa façanha, aumentando o interesse e o desempenho dos alunos.
Existem alunos que adquiriram o hábito de guardar o óleo usado em frituras para criar as bétulas no tamanho ideal para seus protótipos, o mesmo óleo que antes era jogado na rede de esgoto.
Ferramentas de ensino como esta quebram paradigmas auxiliando na arte de transferir conhecimentos e assim todos ganham: os alunos absorvem mais facilmente os conhecimentos e o Brasil ganha profissionais capacitados com uma visão diferente sobre a importância do conhecimento para uma formação de qualidade.
Cleiton R. Abreu é professor do SENAI, membro do conselho deliberativo da CADesign e idealizador do uso da “engenharia do sabão”, no SENAI. Veja seu perfil e trabalhos na Social Networking da CADesign.








