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AutoCAD 2009 - Mudança radical na interface... e o que mais?

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A versão 2009 representa a maior alteração da interface gráfica desde a transição do AutoCAD DOS para o Windows.

A saída de um novo AutoCAD é sempre um acontecimento para os cerca de 4 milhões de usuários. Aqui fica uma análise crítica e independente das suas principais novidades.

Este artigo foi feito com base na versão Release Candidate, imediatamente anterior à versão final, em relação à qual não se espera grandes alterações nas novidades.

I n t e r f a c e  g r á f i c a

A versão 2009 representa a maior alteração da interface gráfica desde a transição do AutoCAD DOS para o Windows, o que, certamente, vai desagradar a muitos usuários. E, efetivamente, a maioria das novidades tem a ver com a área gráfica (Figura 01).

Fundo branco - Influências do AutoCAD LT? Em minha opinião, mais cansativo para a vista e consome mais energia. É da s primeiras coisas que os usuários vão alterar, no lugar do costume (comando OPTIONS, separador Display). Ainda bem que há um botão Restore classic colors.

Ícones diferentes - Os ícones foram todos redesenhados, agora com menos cores, mas mais legíveis, a partir do momento em que nos habituemos aos novos aspectos. Isso é claro para quem usa. As barras de ferramentas flutuantes perderam o nome, que só aparece quando se faz uma pausa sobre as suas extremidades.

Faixa de ferramentas (Ribbon) - Uma das grandes novidades anunciadas para a versão 2007 tinha sido o dashboard, que permitia um acesso alternativo e concentrado aos comandos 3D. Na versão 2008 foram acrescentados uma série de painéis para 2D. Dado que ocupava muito mais espaço do que as barras de ferramentas que pretendia substituir e, após alguns testes, nunca mais usei nem sequer recomendava a sua utilização. Pois, o seu tempo de vida foi curto, na versão 2009 foi extinto e substituído por uma faixa de ferramentas, que também ocupa o seu espaço (Figura 02).

Por conta dessa faixa de ferramentas, também foram removidos os menus de top o e as barras de erramentas. Pânico?! Já mostro como se repõe um ambiente o mais 2008 possível. Existem diferentes configurações de painéis que podem ser acessadas pelos nomes da barra superior. Quase todos os painéis podem ser expandidos, mostrando mais comandos relacionados. A seta a seguir aos nomes da barra superior, permite minimizar a faixa de ferramentas, fazendo-a ocupar muito menos espaço.

A faixa pode ser deslocada, ficar flutuante ou no alto e é configurável no CUI. Essa novidade poderá agradar a alguns, mas o tempo que demora para mudar de painéis e a expandir torna-se irritante. Não prevejo grande futuro, em particular para quem precisa desenhar rápido. Ah, e contém uma enorme quantidade de bugs o que torna a sua configuração um pesadelo.

Barra de acesso rápido (Quick Access) - Agora, na linha superior com o nome do desenho, aparecem uns ícones familiares que pretendem substituir a barra Standard. Que é feito dos Undos e Redos múltiplos? Mas podemos configurar (onde? No CUI, claro) e colocar lá os nossos comandos favoritos. Pelo menos se aproveita um espaço que anteriormente não era usado. E o InfoCenter também passou para esta linha.

Acesso aos menus (Menu Browser) - Onde é que andam os menus de topo? Temos de marcar o Big Red A. Obriga a pelo menos mais um clique e é bem mais lento do que nas versões anteriores (Figura 03).

No entanto, nem tudo são desvantagens. Nos desenhos mais recentes, Recent Documents, vemos a previsão e algumas informações adicionais sobre cada desenho. Nesta lista, podemos marcar o símbolo pin, para bloquear um desenho na lista, ou seja, para que não seja removido por desenhos mais recentes. Outra novidade que pode ser interessante é a possibilidade de localizar nos menus todas as entradas associadas à determinada palavra. Na linha superior desta caixa, quando se começa a digitalizar, o AutoCAD vai logo indicando todas as possibilidades associadas e podemos marcar a referência pretendida para acessar o respectivo comando. É claro que o InfoCenter para obter ajuda é mais rápido.

Mas... não se esqueça de que, já há muitos anos, se estiverem no meio de um comando ou digitar o nome de uma variável, e se chamare o Help, a ajuda sobre o comando ou variável será mostrado imediatamente. Esse processo é imbatível.

Linha de estados - Também aqui houve muitas alterações. Para além da passagem dos botões dos auxiliares gráficos a ícones (reversível), alguns desses permitem o acesso direto às respectivas opções. Do lado direito estão os botões para acesso ao modelo e layouts, vista rápida de layouts, vista rápida de desenhos, pan e zoom (mas agora sem acesso direto a ícones para opções!), steering wheel, show motion, propriedades anotativas, troca de espaços de trabalho (workspaces) e bloqueio de barras/caixas. Chamando o menu de contexto sobre a linha de estados, podemos desmarcar a opção Use Icons e voltar a ter os botões com o nome das funções (quase obrigatório!). Agora, uma boa e uma má notícia. A boa é que podemos,

para algumas funções como o Polar ou o Osnap, escolher diretamente o ângulo ou marcar/desmarcar os osnaps predefinidos (Figura 04). A má notícia é que a pequena ajuda se foi, não agressiva como a de agora (ver adiante), que era colocada na linha de estados quando o cursor ficava sobre um ícone ou um item de menus.

OK! E para repor um ambiente de trabalho mais adequado aos usuários freqüentes?

Felizmente, a Autodesk incluiu um workspace chamado AutoCAD Classic o mais parecido possível com o ambiente antigo. Mas não fugimos das envolventes cinzentas nas barras e menus (Figura 05).

P r o p r i e d a d e s   r á p i d a s

Um novo botão na linha de estados, permite ligar e desligar o acesso às propriedades quando selecionado um ou mais objetos (Figura 06). Essas propriedades são configuráveis. No fundo, acaba por ser um mini PROPERTIES que aparece perto do cursor. Tem a vantagem de podermos configurar (no CUI) as propriedades mostradas. O comando DSETTINGS inclui agora um separador para algumas propriedades de visualização.

V i s u a l i z a ç ã o  r á p i d a  d e   l a y o u t s  e  d e s e n h o s

Marcando o botão da linha de estados, será mostrada uma barra horizontal com a previsão de todos os layouts, permitindo um acesso mais visual. Para cada uma estão disponíveis: botões para impressão e publicação, para manter a visualização das previsões enquanto se desenha, para criar um novo layout, para publicar todos os layouts e para fechar a barra.

Através do botão podemos ver uma previsão dos desenhos abertos e, para cada um, seus layouts (Figura 07).

Aqui está uma novidade interessante e útil, principalmente para quem usa muitos layouts. Mas um pouco lento demais para o meu gosto.

H e l p   a u t o m á t i c o

Esse é uma novidade irritante e muito pouco útil para os usuários freqüentes. Quem é que se lembra do comando ASSIST que aparecia automaticamente na versão 2000i? A primeira coisa a fazer nessa versão era desligar o ASSIST e evitar que aparecesse. Pois chegou o ASSIST capítulo 2, desta vez com duas fases. Ao fazer uma pausa sobre um ícone ou item de menu, aparece uma caixa com uma breve explicação. Com uma pausa adicional de dois segundos, aparece mais ajuda. Este help também está disponível para os elementos das caixas de diálogo. Em OPTIONS, Display, pode-se desligar a caixa, desligar o segundo nível de ajuda ou alterar a duração para a sua colocação. A menos que esteja aprendendo o AutoCAD e queira usar esse recurso. Quem desenha, não quer a mínima pausa nem que apareçam caixas com informação não pretendida. Antes da versão 2009, a pausa mostrava uma pequena ajuda na linha de estados, super-rápida e não agressiva. Outro problema, ao desligar os tooltips, é que nem sequer aparecem as pequenas ajudas para identificar os ícones. Ou seja, ficamos com caixas de ajuda grandes ou nada.

C a i x a  d a s  l a y e r s

Aqui está a minha novidade favorita da versão 2009. A caixa de layers pode ficar sempre visível (mais uma paleta, claro) e todas as alterações aí efetuadas refletem imediatamente no desenho (Figura 08). Outra novidade interessante é a capacidade de se poder bloquear colunas (como a do nome), para que fiquem visíveis quando você fizer o deslizamento das propriedades. Através dos Settings (ícone ), podemos, agora, controlar se o LAYISO (Layer Isolate) faz off ou lock and fade. E acrescentaram um campo para a busca de layers pelo nome. Só faltou criar uma tecla aceleradora para colocar e retirar a caixa.

C r i a ç ã o  f a c i l i t a d a  d e  m a c r o s

Uma das novidades mais anunciadas é a suposta fácil criação e edição de macros. A idéia é permitir criar macros para a aplicação de operações repetitivas de uma forma simples, por gravação, um pouco como se faz nos programas do Office. As macros são arquivos com a extensão ACTM que ficam gravados numa localização definida na caixa OPTIONS, separador Files. Podem-se incluir mensagens e entrada de dados do usuário. Pode ter algum potencial em futuras versões. Na versão atual, atendendo às sucessões de caixas de diálogo com as mensagens e as confirmações, apenas serve para coisas muito simples. De momento, é muito mais eficiente associar macros a ícones de barras de ferramentas.

O u t r a s  n o v i d a d e s

Aqui ficam mais algumas novidades:

Estilo de texto Standard com fonte Arial – Uma novidade nada interessante e a corrigir, caso contrário na inserção de desenhos com texto nesse estilo vai dar confusão.

ARRAY com zoom/pan na previsão - Quando se faz a previsão do comando ARRAY, já se pode fazer zoom e pan. Para aceitar marca-se a tecla direita do mouse (deixou de haver caixa de confirmação).

Parâmetros de mensagens escondidas - Na caixa OPTIONS, separador System, está agora o botão Hidden Messages Settings que mostra uma caixa onde se pode reativar mensagens do AutoCAD como as célebres frases do tipo Don’t show this again ou Always perform my current choice.

Melhorias no formato MicroStation DGN - A versão 2009 já permite exportar para a versão 7 do icroStation (em adição à versão 8 já incluída no AutoCAD 2008). Em DGNs anexados, temos a possibilidade de controlar a visibilidade de layers. O novo comando DGNMAPPING permite estabelecer uma correspondência entre layers, tipos de linha, cores e espessuras entre o formato DGN e o AutoCAD.

Suporte para o formato DWFx - O formato DWFx pode ser usado em todos os comandos que usam o formato DWF. Esse novo formato está de acordo com o formato XPS (XML Paper Specification) da Microsoft e, portanto, compatível com o XPS Viewer do Windows Vista.

Fronteiras de xrefs editáveis por grips - Finalmente! A exemplo do que já acontecia com as fronteiras das imagens, podem-se agora editar as fronteiras de xrefs com os grips. Há também um novo grip que permite inverter a fronteira.

FIND com mais opções - O comando FIND inclui mais opções, nomeadamente a possibilidade de busca em referências externas e blocos e a utilização de wildcards.

ShowMotion e comando VIEW - A novidade ShowMotion permite acessar capturas (shots) guardadas no desenho e criar apresentações. É possível fazer capturas de imagens fixas, movimentos predefinidos (zooms/pans/orbit) e animações. Para cada captura (feita com um comando VIEW modificado), se definem transições. Através do botão , colocado na linha de estados, podemos executar a apresentação.

Mais opções para localização geográfica – Para além da localização através de longitude/latitude e mapa (comando GEOGRAPHICLOCATION), podemos importar uma localização de um arquivo KML e KMZ ou a partir do Google Earth.

ViewCube - A única novidade importante em 3D! Esse cubo de visualização (ViewCube) representa um processo para visualização simplificada em 3D (Figura 09). Para além do acesso às vistas predefinidas (sem mexer nos sistemas de coordenadas), podemos orbitar arrastando com a tecla esquerda do mouse. Através de ViewCube Settings (menu de contexto) controlamos as propriedades do cubo. A parte negativa é que não funciona na visualização 2Dwireframe, a mais usada para modelamento 3D a sério. A idéia com esse cubo e o utilitário seguinte é que sejam comuns a todas as aplicações da Autodesk.

Steering Wheel - Essa ferramenta de visualização já estava disponível no Design Review e representa o acesso a alguns comandos de visualização numa roda colocada na posição do cursor. Tirando algumas opções de Forward/Rewind, é um argumento para o ambiente ficar mais lento.

C o n c l u s õ e s

Ao contrário das versões desde a 2002, em que houve alterações importantes em múltiplas áreas, a concentração das principais novidades na interface gráfica da versão 2009 não permite um aumento de produtividade dos usuários experientes. A utilização do programa dá uma sensação de trabalho inacabado, nomeadamente na pesada interface gráfica. Distinguindo os usuários AutoCAD em dois grupos: experientes e ocasionais, nitidamente esta versão direciona-se aos últimos.

Gostei da caixa das layers, do acesso direto às opções do Polar e dos osnaps a partir de menu de contexto e do ViewCube. O ShowMotion é engraçado, mas de aplicação restrita. A previsão de layouts e de desenhos pode ser interessante para alguns usuários.

Não gostei da maior lentidão genérica dos elementos da interface gráfica, do aspecto cinzentão, da faixa de comandos, do help automático e da falta de verdadeiras melhorias que permitam aumentar a produtividade. E esperava mais da criação de macros. Vamos ver o que nos reserva para o ano o AutoCAD 2010 (uma versão par!).

Pode ser que, com um pouco mais de prática, já utilizando a versão final e uns cursos aprendidos sobre esta versão, haja uma melhoria de opinião em algumas áreas.

Fica para futuros artigos.

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www.qualicad.com

 

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